quinta-feira, 26 de julho de 2007

Minhas Letras

Me assusta como a gente se engana. Eu sempre penso no chuveiro. É uma mania, um costume bobo. Porque não dá pra escrever no chuveiro. E as idéias desaparecem quando acaba o banho. É como se elas tivessem sido secadas na toalha. Mas foi no banheiro que eu escrevi a idéia do que transcrevo abaixo.

As idas e vindas do Sr. Lazy

De criativo no meu ócio só crescem adipócitos

Milho aos pombos, tardes longas e receitas da TV

De criativo nem ao que meus olhos e ouvidos se transmite


Sou matéria fisiológica todo dia preso, encarcerado

Espanto minha imagem presa no espelho do banheiro

Onde a fluidez da água lava a superfície fria


Ei você, venha comigo de braços dados a marchar

Sem medo de se ferir e não há tempo pra fugir

O tempo rasga minha pele e não perdoa hesitação

Diga “adeus” ao Peter Pan e pintaremos o amanhã


Vejo a cidade se expandindo a passos largos

O verde é derrubado e brotam luzes artificiais

Pra logo, logo a primavera ser vendida em cestas nas feirinhas


Meus vícios de linguagem são cópias da televisão

Que me ensina como me portar e ser para sempre vão

Nas rodinhas me alugo dando uma de Jabor

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